Ganho 500 euros por mês, na profissão que escolhi e para a qual tirei uma licenciatura.
Tenho sorte, sou efectiva e consigo pagar a renda todos os meses.
Não posso ir ao cinema, sair à noite, comprar roupa, pensar em ter filhos, voltar à escola, comer fora, viajar…
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I earn €500/month, in the profession I chose and for which I am highly and academically prepared.
I’m lucky. My job is stable and I succeed in paying the rent every month.
I can’t go to the movies, go out for a drink, buy clothes, think of having children, go back to school, eat out, travel…
Tenho 59 anos, trabalho desde os 18.
Em 2003, com a empresa onde trabalhava em risco de falir, aceitei o acordo de layoff.
Vivi do subsídio de desemprego, sempre sem conseguir trabalho, pois ninguém emprega ninguém após os 50 anos. Trabalhei, enquanto desempregada, num tribunal, a receber subsídio mais alimentação durante 12 meses. Fui precária do Estado, que não me empregou nem pagou o valor devido pelo meu trabalho. Findo o subsídio, não tive outra escolha que a de uma reforma miserável. Vivo com os apoios do meu irmão e do meu filho, que é precário.
Estou no limiar do limite.
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I’m 59, been working since I was 18. In 2003, I took the layoff agreement, because the company I worked in was risking bankrupcy.
I lived on welfare, always trying to get a job and never succeeding, for no one takes a new employer over 50 years old. I worked, as an unemployed citizen, in a courthouse, wagering only the state unemployment pension, for 12 months. I was explored by the State, which never hired me or payed for the full value of my work. As the unemployment money ended, I had no choice but to retire on a miserable pension. I live on the help of my brother and my son, who also has no permanent job.
À rasca. Enrascados. Desenrascados. Encalhados aqui, a ver o futuro morrer, somos as vozes sem voz e sem expressão. Os que trabalham por pouco, os que trabalham para nada, os que vivem para um presente cada vez mais envenenado. Os que não têm direito e já nem vêem direito entre tanta linha torta. No limiar da pobreza, no limite da indignação. Aqui as nossas caras e palavras suplantam os números, as nossas histórias ganham expressão, numa união de unidades.
Seguindo o percurso dos nossos companheiros de Wall Street, chega-se a We Are the 99 Percent, onde os rostos se descobrem e as histórias se contam, vidas concretas contra as abstracções financeiras e o abuso de Poder. As boas ideias são de todos. E nós estamos todos aqui. Diz-se que em Portugal reina a negação, a clandestinidade, a vergonha. Aqui pedimos-te que deixes cair a máscara e nos contes a história, a tua história, a história dos teus. Porque não há, num país democrático, cargo mais alto que o de cidadão. Exerce. Junta-te. Mostra-te. Conta. Estamos contigo, no limiar do limite.

envia a tua fotografia com a tua história para nolimiardolimite@gmail.com